Guia prático de gramática portuguesa: erros comuns, dicas de ortografia, concordância, crase e pontuação

Lembro-me claramente da vez em que, em uma reunião de família, corrigi um bilhete que minha avó havia escrito com tanto carinho — e vi nos olhos dela a mistura de surpresa e vergonha. Na minha jornada, aprendi que a gramática portuguesa não é um inimigo, é uma ferramenta de respeito e clareza. Esse episódio me ensinou que explicar regras com empatia faz toda a diferença: desde então, ajudei colegas, alunos e leitores a vencerem a insegurança frente à escrita.

Neste artigo você vai aprender, de forma prática e direta:
– O que compõe a gramática portuguesa e por que cada parte importa.
– As regras e armadilhas mais comuns (e como resolvê-las).
– Dicas práticas para melhorar sua escrita hoje mesmo.
– Respostas rápidas às dúvidas mais frequentes.

O que é, afinal, a gramática portuguesa?

A gramática portuguesa é o conjunto de regras que organiza a língua: como formamos palavras (morfologia), como as combinamos em frases (sintaxe), e como representamos sons por escrito (ortografia). Pense nela como o mapa de uma cidade — saber a malha viária facilita muito chegar ao destino sem perder tempo.

Principais áreas que você precisa conhecer

Morfologia: palavras e suas famílias

Refere-se às categorias (substantivo, verbo, adjetivo, advérbio etc.) e à formação de palavras (prefixos, sufixos, derivação). Saber que “feliz” é adjetivo e “felicidade” é substantivo ajuda a escolher a concordância correta.

Sintaxe: como as palavras se organizam

Trata da função das palavras nas frases — sujeito, predicado, objetos, adjuntos. Pergunte-se: “Quem faz a ação? O que está sendo feito?” Essas perguntas clarificam a ordem e a concordância.

Ortografia e acentuação

Regras de escrita (incluindo o Acordo Ortográfico) e acentuação. Exemplos práticos: “por que” vs “porque”, “tem” vs “têm”, e o uso correto da crase.

Pragmática e pontuação

Como o sentido muda com a pontuação. Uma vírgula fora do lugar pode transformar elogio em crítica. Use a pontuação para dar ritmo e sentido ao texto.

Erros comuns e como evitá-los

1) Concordância verbal e nominal

Erro comum: “Fizeram-se várias denúncias” — correto é “Fizeram-se várias denúncias”? Na verdade, com verbo haver no sentido de existir, usa-se no singular: “Houve várias denúncias.” Em construções com sujeito composto, atente à proximidade: “O pai e a mãe chegaram” (verbo no plural).

2) Uso de “mim” versus “eu”

Você já se pegou pensando “Para mim fazer isso”? Teste substituindo pela 1ª pessoa do singular completa: “Eu fiz isso.” Se a frase exigir sujeito, use “eu”: “Eu vou.” Se for objeto indireto, use “mim”: “Isso não é para mim.”

3) Crase

Crase é a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a(s)”. Dica prática: substitua a palavra feminina por uma masculina equivalente; se aparecer “ao”, há crase. Exemplo: “Vou à festa” → “Vou ao evento” (há crase).

Exemplos práticos — antes e depois

  • Errado: “Nós as vimos ontem.” — Correto: “Nós as vimos ontem.” (aqui o problema é usualmente a ênfase no posicionamento do pronome; prefira “Vimos-nas ontem.” em contextos formais)
  • Errado: “Fazem 10 anos.” — Correto: “Faz 10 anos.” (verbo fazer indicando tempo decorrido é impessoal)
  • Errado: “Ele não compareceu, por falta de tempo.” — Correto: “Ele não compareceu por falta de tempo.” (vírgula desnecessária)

Dicas práticas para melhorar sua escrita hoje

  • Leia com atenção textos bem editados (jornais respeitados, livros de autores consagrados).
  • Use dicionários e corpora online como o Dicionário Priberam (dicionario.priberam.org) e o Michaelis (michaelis.uol.com.br).
  • Revise em camadas: primeiro estrutura (ideias), depois frases (coerência), por fim ortografia e pontuação.
  • Leia em voz alta — isso revela problemas de ritmo, repetição e pontuação.
  • Pratique com exercícios focados (concordância, crase, regência).

Ferramentas úteis

Porque algumas regras parecem tão difíceis?

A língua é viva. Regras surgem para padronizar, mas o uso varia por região, tempo e contexto social. O que é norma culta em um ambiente pode ser coloquial em outro. Entender a lógica por trás das regras ajuda mais do que decorar: é a diferença entre seguir um manual e dominar uma ferramenta.

Perguntas rápidas (FAQ)

O que é mais importante: gramática ou vocabulário?

Ambos. Vocabulário enriquece, gramática organiza. Uma escrita clara precisa dos dois.

Como aprender gramática sem ficar entediado?

Aprenda com textos que lhe interessem: músicas, matérias, crônicas. Faça correções conscientes e registre os erros recorrentes para praticar especificamente.

O Acordo Ortográfico mudou muita coisa?

Houve mudanças pontuais na acentuação e no uso de hífens. Para conferir regras atualizadas, consulte a Academia Brasileira de Letras (academia.org.br).

Conclusão

Gramática portuguesa é um conjunto de ferramentas que, quando bem aproveitado, aumenta o poder de comunicação. Em vez de encarar regras como limitações, use-as para dar precisão às suas ideias. Aprender é um processo: pequenas práticas diárias rendem grandes avanços.

Pergunta final e chamada para ação

E você, qual foi sua maior dificuldade com gramática portuguesa? Compartilhe sua experiência nos comentários abaixo!

Referências e fontes

  • Academia Brasileira de Letras — https://www.academia.org.br
  • Dicionário Priberam — https://dicionario.priberam.org
  • Ciberdúvidas da Língua Portuguesa — https://ciberduvidas.iscte-iul.pt
  • Michaelis — https://michaelis.uol.com.br
  • Para dados gerais sobre alfabetização e língua: UNESCO Institute for Statistics — https://uis.unesco.org
  • Notícia e contextualização sobre língua e cultura em portal de referência: G1 — https://g1.globo.com

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