4 Verbos http://4verbos.com.br Assista, deguste, pense, faça. Mon, 10 Feb 2014 17:06:59 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.4.1 Esposa dançando na cozinha http://4verbos.com.br/esposa-dancando-na-cozinha/ http://4verbos.com.br/esposa-dancando-na-cozinha/#comments Mon, 10 Feb 2014 14:05:47 +0000 Leandro Magalhães http://4verbos.com.br/?p=1637 Quem não passaria horas ali, olhando, esperando o frango assar? É uma pena ela ter lido a receita tão rápido. Uma pena ela ter descoberto que estava sendo filmada. Duvido que Jamie Oliver ou Alex Atala fariam melhor.

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Os Barbixas http://4verbos.com.br/os-barbixas/ http://4verbos.com.br/os-barbixas/#comments Fri, 31 Jan 2014 11:54:51 +0000 Leandro Magalhães http://4verbos.com.br/?p=1627

Eu sou fã deles há muito tempo. Tem gente que diz que eles não são originaaaaiiss, que tão copiaanndo os ooooutros, que tal e coisa e coisa e tal… foda-se. O que esses caras fazem é bom pra cacete!

Os Barbixas ganharam fama na internet em 2009 com a publicação de partes do espetáculo “Improvável”. Um tipo de teatro todo conduzido no improviso. Procure no YouTube, você vai gostar. TROCA! Procure no YouTube, você vai rir pra caralho. TROCA! Procure no Vimeo, você não vai achar porra nenhuma.

Rodando o país com o espetáculo Improvável há algum tempo, a Cia. Barbixas de Humor também entrou na onda de publicações de esquetes. E como disse no começo do texto, tudo que esses caras fazem é bom. Por isso resolvi publicar aqui em ASSISTIR. Separei as 3 melhores até agora na minha opinião. Divirta-se.

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Idiots http://4verbos.com.br/idiots/ http://4verbos.com.br/idiots/#comments Wed, 11 Dec 2013 12:30:29 +0000 Leandro Magalhães http://4verbos.com.br/?p=1618

Com mais de 2,8 milhões de visualizações no Vimeo em três semanas, IDIOTS tem tudo para ser é um verdadeiro buzz mundial. Este curta-metragem criado com papelões reais é uma verdadeira crítica a nossa sociedade e, mais precisamente, aos viciados em smartphones. Assim como eu essas pessoas usam seus celulares para um monte de coisas estúpidas e não hesitam um segundo em comprar um novo quando o seu telefone atual morre de obsolescência planejada. Aliás, que massa o app de chicote. Vou baixar (assista ao vídeo e entenda). Um trabalho interessante criado por BigLazyRobot.

IDIOTS from BLR_VFX on Vimeo.

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Ninf()maníaca http://4verbos.com.br/ninfmaniaca/ http://4verbos.com.br/ninfmaniaca/#comments Thu, 05 Dec 2013 18:31:07 +0000 Leandro Magalhães http://4verbos.com.br/?p=1608 “Ninfomaníaca”, o mais novo (polêmico) filme do diretor Lars Von Trier, ganhou o primeiro trailer legendado essa semana. No vídeo, cenas de sexo e espancamento se intercalam com diálogos mais profundos. O longa deve chegar aos cinemas brasileiros em alguns cinemas no Brasil em janeiro do ano que vem.

Ficou literalmente foda.

 

O longa é tão longa que será dividido em duas partes e terá um total de cinco horas de duração. Cada seção do filme, que conta a história de uma viciada em sexo, terá cerca de 2h30. Além disso, Von Trier tem planos de levar a história para a televisão, no formato de seriado.

 

No elenco os destaques são Charlotte Gainsbourg, Uma Thurman, Shia Lebeouf e Willem Dafoe. Esses e outros atores também protagonizaram os pôsteres do filme que mostram os personagens com expressões que sugerem o momento do orgasmo. Ficou literalmente foda.

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Instagram é sempre igual http://4verbos.com.br/instagram-e-sempre-igual/ http://4verbos.com.br/instagram-e-sempre-igual/#comments Mon, 25 Nov 2013 12:57:29 +0000 lisandro http://4verbos.com.br/?p=1596 O impulso é a chave que nos faz produzir todos os clichês do dia a dia. O impulso é quando você não pondera sua próxima ação. Aqueles três segundos que te fariam pensar um pouco mais para, talvez, fazer diferente.

Não é ruim. É chato às vezes.  Mas existem relatos nos livros que contam as histórias desse universo que dizem que as melhores coisas do mundo foram feitas de forma impulsiva.

Graças às ferramentas de compartilhamento da rotina, digo aí as “chamadas redes sociais”, temos formas de dar vazão a toda impulsividade. Aquela COCEIRINHA que dá quando estamos com o celular na mão e tem um pôr do sol deslumbrante na nossa frente e a conta do Instagram tá gritando “ME ATUALIZA POR FAVOR”. Ou aquele calor que te impede de NÃO POSTAR foto quando você está tomando uma “champa” na beira da piscina com a sua hashtag vidadifícil.

O comportamento é padrão em qualquer lugar do mundo, até quando tentamos fazer de forma diferente. Não é errado ser igual.

Vi no Youpix logo cedo esse vídeo que mostra um clipe feito com fotos postadas no Instagram, por várias pessoas diferentes pelo mundo. A montagem é muito bem feita e comprova que, no impulso, produzimos muita coisa parecida. A foto da capa desse post, da asa do avião, é do meu Instagram.

An Instagram short film from Thomas Jullien on Vimeo.

 

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A vida que eu não terminei http://4verbos.com.br/a-vida-que-eu-nao-terminei/ http://4verbos.com.br/a-vida-que-eu-nao-terminei/#comments Fri, 02 Aug 2013 01:02:52 +0000 lisandro http://4verbos.com.br/?p=1551 Hoje sou muita coisa que eu não fui. E um pouco de outras coisas que ainda nem comecei.

Eu poderia ser um jogador de futebol rico. É bastante otimismo, mas nunca saberei.

Por que eu larguei a escolinha de futebol mesmo? Tenho precisado daquelas aulas que me faltaram.

Certo dia, me matriculei em uma academia perto de casa pra agradar as menininhas exigentes da escola no ensino médio. É, se você um dia ler esse texto saiba que eu queria te impressionar e que hoje te acho muito, mas muito chata. Um dia, fiquei com preguiça e nunca mais compareci àquele estabelecimento pra puxar ferro. Poderia ser um baixinho musculoso, até cultivei um “tanquinho” que me orgulhava por certo tempo. Depois descobri a cerveja e ficou tudo bem.

Depois de adquirir a barriguinha protuberante, que todo macho-alfa-saco-roxo deveria cultivar, comecei a correr pra ganhar condicionamento físico. Nunca consegui completar um mês, ou 5 km. Eu poderia chegar à frente do amigo Luciano Marino nessas corridas de rua se tivesse terminado o que comecei.

Lembro ainda de alguns versos das cartinhas apaixonadas que deixei pela metade e nunca entreguei. Eu era um piá bem bobo e tinha toda aquela insegurança adolescente e o medo de ser rejeitado. Coisas que me impediram de ir além. O mesmo vale para as poesias que eu escrevia no fundo dos cadernos de matemática. Não é à toa que eu não me dou bem com números.

No mínimo eu teria mais histórias pra contar.

Já larguei um namoro no meio do caminho uma vez também. Mas esse eu terminei.

Um dia toquei “Aquarela”, composta por Toquinho, em uma churrascaria ruim de Cuiabá. Depois, a pedidos, emendei “Como uma onda”, de Lulu Santos. Os pedidos eram da minha família, claro, que estava lá pra ver se o investimento nas aulas de violão valia a pena. Aquele dia foi estranho e legal, mas nunca se repetiu, pois a apresentação fazia parte das aulas a e nunca mais voltei.

Pouco tempo depois decidi tomar aulas de guitarra, porque eu era roqueiro e tal.

Depois de um tempo recebei um convite pra tocar com o meu primo músico em uma banda que só tocava Marilyn Manson. Ninguém se vestia ou agia como esse retardado age, as músicas eram boas, mas eu tinha dificuldades em me acertar com o compasso das músicas. Ainda tenho, na verdade. Deveria ter ido até o fim das aulas.

Um dia faltei a um ensaio e nunca mais toquei. Tempos depois toquei guitarra num palco durante uma música. Foi no meu casamento e já se vão dois anos sem pegar na guitarra.

Treinei Taekwondo até chegar à faixa verde.

Eu nunca terminei o jogo Rock´n Roll Racing. Fico triste por isso, sempre tentei e adoro esse jogo do SNEs. Até hoje me pego pensando no que deve ter após a fase do Inferno (Já zerou? Conta aí!). Nunca tive paciência pra chegar ao fim de nenhum Zelda e larguei Sonic no meio do caminho. Gosto dos jogos mais rápidos.

Recentemente tive grandes ideias (quando é ideia sempre parece grande) para grandes projetos com um grande amigo. Mas tem sempre um “mas” e um futuro do pretérito no meio do caminho.

Livros, projetos, cursos, hobbies, textos para este blog: uma vida inteira pela metade. E, pra não dar sopa para uma grande ironia, decidi terminar esse texto.

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O lado da propaganda que não entra na pauta http://4verbos.com.br/o-lado-da-propaganda-que-nao-entra-na-pauta/ http://4verbos.com.br/o-lado-da-propaganda-que-nao-entra-na-pauta/#comments Fri, 19 Jul 2013 13:21:59 +0000 Leandro Magalhães http://4verbos.com.br/?p=1537 De um tempo pra cá alguns jovens, em momentos diferentes e por meios distintos, chegaram a mim com uma dúvida: “Estou pensando em fazer publicidade, o que você acha?” Impressionante como uma pergunta tão específica pode ter uma resposta tão ampla. Os benefícios de ser um publicitário todos sabem. Os malefícios também. Procure por “publicitário” no Google Imagens e leia as tiras de “Mário, o Publicitário”. Resumidamente, esses são os perrengues da profissão. Agora, o que quase ninguém fala é da parte que fede. Portanto, jovens que pretendem trabalhar com comunicação: aqui vai um pouco da parte mais suja dessa profissão. Se você quiser frequentar festinhas badaladas, decorar a estante com alguns prêmios, trabalhar de bermuda e fazer ótimos amigos, você precisa ter estômago para aguentar o seguinte cenário:

Antes uma observação. Trabalho há 10 anos com propaganda, 95% desse tempo dentro de algumas agências em Cuiabá, Mato Grosso. Portanto, o que vou relatar aqui é de conhecimento sobre esse mercado. Se você não for de Cuiabá, pergunte para alguém da sua cidade como funciona o sistema por aí. Provavelmente será o mesmo cenário.

Você fará bons amigos.

Capítulo 01 – Submissos e Conformados
Somos uma classe que aceita as coisas como elas são. É assim que funciona e pronto. Nosso salário não é registrado na carteira de trabalho e não recebemos em dobro nossa hora extra dedicada à empresa nos finais de semana ou nas madrugadas. Não temos um órgão que determina nosso piso ou teto salarial. Não precisamos de diploma para exercer a profissão. Não existe sindicato dos profissionais, o sindicato das agências é ridículo e ninguém faz nada para mudar isso. Como disse, somos submissos e conformados.

Capítulo 02 – Licitações e Concorrências
Boa parte do lado que fede da publicidade está podre por um mal chamado licitação. Em 10 anos devo ter participado de umas 30 licitações, incluindo públicas e privadas. Talvez cinco delas não tenham sido carta marcada. É um período de extrema dedicação em vão do profissional. A gente rala, se dedica, trabalha com tesão no projeto, perde festa de família, perde fim de semana, perde os primeiros passos da sua filha para participar de uma concorrência em que a solicitante já sabe quem vai ganhar, mesmo antes de abrir as propostas. Se nas licitações públicas, para as quais teoricamente existem leis e regras, o sistema é fraudulento, imagine nas concorrências de empresas privadas, onde ninguém fiscaliza nada. Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, Secretaria da Copa e até concorrência de shopping center. Já vivi de tudo e repito: fede. Me faltam provas, mas gostaria muito de citar nomes e dar exemplos práticos. Quem sabe um dia algum jornal de domingo à noite não mostre uma matéria com aquelas câmeras escondidas e gravações telefônicas clandestinas, revelando como o sistema funciona. Se bem que isso é muito pouco provável. Os canais de televisão  fazem parte do sistema. Tem TV, inclusive, que é dona de agência de comunicação. Mas isso é assunto pra outro capítulo.

Capítulo 03 – Mídia Vendida
Já parou pra pensar como um jornal ganha dinheiro? Não, não é vendendo nas bancas. Ele ganha com os anúncios que decoram as folhas entre uma reportagem e outra. Televisão, rádio, site de notícias, todos funcionam do mesmo jeito. Como todos sabem, a mídia tem um poder violento na formação da opinião pública. E é aí que mora o perigo. Boa parte dela é vendida. Sites e jornais constantemente ameaçam órgãos ou concessões públicas dizendo que se eles não anunciarem no canal vão publicar uma reportagem negativa sobre a instituição. É simples assim: “Anuncie que eu calo a minha boca”. E você sabe o que as agências e as empresas fazem? Anunciam. É o sistema alimentando o sistema.

Capítulo 04 – “Pra inglês ver”
Certa vez perguntei para uma pessoa que trabalhava em uma secretaria de comunicação se a nossa campanha teve algum resultado. Ela virou pra mim e disse: “A gente não faz propaganda para alcançar resultados”. Publicidade para órgão público é, na maioria das vezes, uma grande prestação de conta. Nenhuma campanha para prefeitura, governo ou qualquer secretaria possui métrica ou mensuração de resultado (não que eu saiba). Não precisa medir resultado. Tudo é fachada. Desculpa para gastar o dinheiro público. Já vi anúncio de um quarto de página de jornal ser liberado pra um veículo de comunicação do interior do interior do Estado por 10 mil reais. Um jornal com 100 exemplares não vale 10 mil reais. Isso é só mais um dos modos que o sistema achou para fazer desvio de verba. Como eu disse, fede.

Já fui júri, já presenciei manipulação de resultado, já vomitei no banheiro das festas.

Capítulo 05 – Premiação
A única premiação que dou valor é para a categoria acadêmica. O resto é jogo de interesse. Na minha cidade existem 3 “grandes” premiações publicitárias. Dois veículos e um fornecedor. Já fui júri, já presencie manipulação de resultado, já vomitei no banheiro das festas. Aprendi com um grande amigo que mais importante que o prêmio é quem premia. Portanto colega, quando o prêmio for dado por alguma instituição de rabo preso, a premiação não vale nada. Não ganha a melhor peça publicitária, ganha quem mais investiu. A boa notícia é que parece que as coisas começaram a mudar nos últimos 2 anos. Aparentemente a criatividade começa a ganhar peso na escolha dos premiados.

Desculpe se explorei apenas o lado negativo da coisa, mas acho importante que você, estudante, saiba antes de mais nada como as coisas funcionam por aqui. São assuntos e temas pouco ou nada abordados dentro das universidades. Não se fala abertamente sobre isso. E o meu principal objetivo com esse texto é esse, conversar sobre esses assuntos. Isso tem que entrar na pauta. Assim você faz a sua escolha sabendo em que vai se meter. Muita gente tem se cansado e abandonado o barco. Admiro quem tem essa coragem. Amigos meus, ótimos profissionais, tem saído de dentro das agências para trabalhar dentro das empresas ou mudado de profissão. Blogueiro, cozinheiro, empresário, músico… todos sobreviventes de guerra. Mas também admiro muito quem persiste. Uns por não terem outra opção, afinal, no fim do mês é preciso pagar algumas contas. Outros por acreditarem que com o tempo e a disseminação de valores corretos dentro da profissão algo possa ser diferente.

Eu, particularmente, me encaixo nesse último perfil. Não quero dizer que sou o Messias, mas também estou longe de ser um zumbi que aceita a vida como ela é. E é isso que espero de quem pretende começar nessa profissão. Saiba que, assim como toda profissão, existem falhas e sujeiras. E se você não vier com pensamentos positivos, com vontade de fazer seu trabalho e um “algo a mais” para mudar tudo isso, você não vai aguentar e logo vai cair fora.

E pra finalizar uma sugestão de livro bem legal: Tudo o que você não queria saber sobre propaganda. Do Newton Cesar. Mais informações aqui.

Se alguém quiser continuar essa conversa pode me mandar um e-mail. Podemos marcar uma cerveja e discutirmos mais sobre o tema. Afinal, de alguma maneira tudo isso tem que entrar na pauta.

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A imbecilidade moderna http://4verbos.com.br/a-imbecilidade-moderna-2/ http://4verbos.com.br/a-imbecilidade-moderna-2/#comments Tue, 16 Jul 2013 10:00:14 +0000 lucasninno http://4verbos.com.br/?p=1517 Ontem eu não cumpri minha missão. Recebi uma pauta de um dos editores da United Press. Ele me pediu para fotografar um evento em que eram expostas réplicas gigantes de dinossauros. A ideia era clicar a relação da criançada com os bichos. Parecia algo prazeroso e fácil de realizar. Afinal, qual criança não gosta de dinossauros? Bom, já adianto que falhei.

Falhei, pois ao chegar lá me deparei com muita gente adulta e com elas, centenas, milhares de câmeras e celulares. Ao invés de desfrutar da exposição – que por sinal era fantástica – todos estavam fotografando. Inclusive eu. Procurei, sem sucesso, a tal cena da criança admirando as feras pré-históricas. Quando finalmente encontrei e preparei a câmera para disparar, fui derrotado pelo pai do menino, que o chamava freneticamente, de celular em punho: “Hijo, hijo. Mire para acá, mire para acá”. Então olhei ao meu redor e vi aquilo se multiplicando e ocupando todos os espaços do evento. Frustrando minhas expectativas, ninguém olhava os dinossauros. Estavam todos de costas para poder sair na foto, claro.

“Hijo, hijo. Mire para acá, mire para acá”

Minha pauta caiu e, com um pouco de indignação, pensei na imbecilidade a que nossa sociedade chegou, onde é mais importante ‘registrar’ a vida que viver. Você sai com seu filho, paga a entrada da família inteira e o coitado não curte absolutamente nada, porquê precisa ficar posando para as fotos que você quer subir ao Facebook. E hoje, pra completar, vejo um carro parado no centro histórico de Santiago. Me assustei, porque as 5 pessoas que estavam dentro tinham as cabeças baixas, como em cenas de assassinato. Me aliviei quando vi que apenas estavam olhando para os celulares, cada um com o seu. Mas acho que de certa forma estavam mesmo mortos. Sua conexão com o mundo foi assassinada pela conexão Wi-fi.

Lucas Ninno é fotógrafo cuiabano e atualmente mora em Santiago do Chile, onde trabalha como colaborador para a agência de notícias United Press International.

Conheça e acompanhe seu trabalho em:www.facebook.com/canaldoninno

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Você não é muito melhor do que um caruncho http://4verbos.com.br/voce-nao-e-muito-melhor-do-que-um-caruncho/ http://4verbos.com.br/voce-nao-e-muito-melhor-do-que-um-caruncho/#comments Fri, 12 Jul 2013 18:30:56 +0000 Luciano Marino http://4verbos.com.br/?p=1482 Ateu destemido, nunca dei muita importância ao feriado do dia 2 de novembro. Tenho meus motivos, o principal deles está intimamente ligado ao meu ceticismo incorrigível. Outro dia uma pessoa bastante culta me perguntou o que eu pensava da morte. Confesso que não esperava uma pauta tão estéril de alguém que lembra o nome de todos os generais de Hitler na 2ª Guerra Mundial. Mal consigo lembrar a escalação da Seleção Brasileira na Copa de 1994. Mesmo assim, respondi o que sempre respondo em situações como aquelas – que não tenho muitas dúvidas. E o fiz com probidade na alma, isso se eu acreditasse em almas, é claro.

A resposta simples e direta veio enquanto perambulávamos entre os túmulos em um típico dia de finados de cidade pequena. Para quem não sabe do que eu estou falando, um dia típico de finados de cidade pequena reúne no cemitério toda a população urbana e rural do município. Um evento magnífico para alguns nichos de mercado sazonais, devo sublinhar. Tem o vendedor de flores, de velas, de isqueiros e fósforos, de terços e até, o vendedor de algodão-doce. Quem poderia se sentir tentado a degustar um algodão-doce em um ritual tão fúnebre? Também têm as tendas de pasteis fritos na hora, outra que oferta melancia, churros, coxinha e tudo que abasteça as necessidades fisiológicas dos que vieram prestar suas homenagens aos falecidos. E foi nesse ambiente nada inspirador que eu renovei o ceticismo da minha resposta padrão para questões póstumas.

3 por 1 real.

‘Não tenho muitas dúvidas.’ Deveras, uma resposta simples demais para algo tão intrigante. Imagino que eu não seja o único a pensar assim, mas tenho certeza que eu pertenço a alguma minoria. Digo isso porque a maioria das pessoas não tem o hábito de pensar direito em questões muito complexas. Filosofar costuma dar muito trabalho, e daqui a pouco vai começar o Caldeirão do Huck. Mas isso não é nenhuma forma de crítica social, bem pelo contrário, quero me ater apenas aos argumentos que me fazem pensar assim. Não quero que ninguém concorde comigo em nada, as pessoas pensam como pensam baseadas em infinitas variáveis. As nossas opiniões são moldadas conforme experiências que adquirimos ao longo da vida, pessoas com quem nos relacionamos, livros que lemos, ideias que temos, pensamentos que falamos e ouvimos – somos o resultado de uma grande equação. Com as mesmas fontes de informação, pensaríamos rigorosamente da mesma forma. Por isso, entendam as malditas diferenças e evitem desgastes ao debater os assuntos mais complexos!

Isso devidamente esclarecido, podemos voltar a falar da nossa existência perecível. E começo com uma pergunta bem simples: o que nos faria ter a pretensão de achar que somos criaturas especiais? Você acha mesmo que o animal humano tem algum privilégio sobre os outros seres vivos só porque tem consciência da própria morte? O que nos leva a crer que somos moralmente mais avançados que rinocerontes, gafanhotos, pulgas, vira-latas, ou ainda, carunchos? São todos seres biológicos que nascem, crescem, se reproduzem e morrem. No caso dos humanos, ainda assistem à novela das oito antes de se reproduzirem. As vezes, até conseguem se reproduzir enquanto assistem à novela.

Mas, vamos um pouco mais além e adentremos ao Plantae, citemos uma babosa, por exemplo. O que acontece com ela depois que encerra seu ciclo natural? Ok, vira shampoo ou alguma solução para intestinos presos. Melhor voltar ao exemplo do caruncho. Não acontece absolutamente nada depois que vivem suas vidas roendo madeira, ou você acredita mesmo que todos os carunchos do mundo estão só de passagem por este plano? O que eu quero dizer é que não existem argumentos minimamente pertinentes que sustentem a ideia de qualquer coisa consciente depois da morte. Nada. Zero.

Ok, sobra a fé.

Devemos lembrar que a base principal de muitas religiões é o próprio desprezo pela vida. São instituições que insistem em pregar que todos os fieis estão aqui de passagem e o melhor mesmo ainda está por vir. U-hu! Pois é, não parece muito plausível. Fé não é argumento pra muita coisa, é apenas… fé. Eu posso ter fé no que bem entender, não tenho compromisso em explicar nada. Tenho fé que um dia a corrupção vai acabar, que meu reumatismo vai sumir, que em setembro vai chover, e que, inclusive,  existe um Deus monitorando tudo o que pensamos. Lamento, mas a fé não tem o poder de mover montanhas, é só uma metáfora das mais pancrácias que existem.

E já que o texto está ficando pesado mesmo, posso confessar aqui o quanto eu fico intrigado com a falta de bases racionais que levam as pessoas a cultuarem os mortos. O cérebro humano é tão poderoso e mesmo assim a tal inteligência coletiva aceita “verdades” inquestionáveis que me deixam embasbacado. Não entendo como a religião pode coexistir com o materialismo, conheço muitos religiosos materialistas. A própria América foi baseada nesse conceito contraditório. Mas, deixando a fé momentaneamente de lado, não demora muito a concluir que este razoável espaço de tempo que batizamos de “vida” é tudo o que nos resta. Lamento por isso.

Nós não temos um camarote nos esperando no paraíso. Não existe paraíso. Nós não somos especiais. Apenas viva direito.

Quando morremos, acontece conosco a mesma coisa que acontece com um maldito caruncho, ou gafanhoto, ou babosa. Nós viramos esterco, adubo, fonte de energia para outro tipo de vida, um ciclo perfeito, devo lembrar. E isso não tem relação nenhuma com Deus ou seja lá com qual for o destino que fantasiamos para nós. Lamento mais uma vez informar, mas nós não temos um lugarzinho especial guardado no céu. Nós não somos especiais. Só nos resta a fé em qualquer coisa que quisermos acreditar, afinal, para a fé, a verdade é o que menos importa.

Espera aí, o que você está dizendo? As revelações não podem estar erradas, bilhões de pessoas acreditam nisso. Esse é outro argumento bem raso. Acredito cada vez mais que a maioria das multidões são formadas por meras expressões carnavalescas. É apenas fé sendo repetida mil, cem mil, duzentas mil vezes. O que não falta nesse mundo são provas da engenhosa bestialidade humana, confortada pelas multidões e seus coros Ad nauseum. E por favor, não se sinta ofendido se você tem fé, não é de você que eu estou falando.

Cimetière des Innocents, em 1550.

É cientificamente provado que a mente humana precisa de respostas – de qualquer resposta. E veja só: não existe a mais remota probabilidade de chegarmos sequer perto de ter a capacidade para saber o que realmente acontece com a nossa consciência depois que morremos – se é que acontece alguma coisa. E não a temos por um único motivo: ainda estamos vivos e gozando da nossa óbvia limitação. Suponhamos que a verdade seja a que está nas inscrições ditas sagradas: depois da morte os bons vão para um paraíso imaginário e os ‘sem Deus no coração’ vão para um porão batizado de inferno. Se essas condições fossem menos infantis, o mundo não seria como o conhecemos hoje, justamente porque a fé não se sustenta perante a razão. É só um paradoxo bastante simples.

Reproduzindo o trecho de um artigo de Julian Barnes que eu li na Revista Piauí, podemos dividir a nossa espécie em dois grupos baseados na fé: os que temem a morte e os que não a temem. Tem os que não temem porque têm fé e os que não temem apesar de não terem fé. Esses dois estão no plano mais alto da moral. Em terceiro lugar, vêm aqueles que, apesar de terem fé, não conseguem se livrar do medo antigo, visceral e racional da morte. E finalmente, existem os infelizes que temem a morte e não têm fé.

Para mim, a reflexão é bem mais simples: como eu posso temer algo tão natural e imutável sabendo que eu não estou desperdiçando a minha vida? Soa melancólico. O medo de morrer está no remorso das vidas não vividas, das arestas escancaradas, do legado sem muita nobreza. Resumindo, é isso. Melhor manter as coisas em ordem, já que nunca se sabe quando a morte vai chegar. Se você nega a morte completamente, você não vive direito. O propósito da vida é a morte. Tudo o que somos, pensamos e sentimos são provenientes de experiências mundanas. Somos parte de um ciclo e faz todo o sentido que a nossa carcaça apodreça na terra enquanto é devorada pelos vermes.

Quando você morre, é um dia como qualquer outro, só que mais curto.

Eu tenho intenção de viver 90 anos, considero bobagem ir muito além disso. Ninguém precisa viver tanto, se você não fizer tudo que tem pra fazer em 90 anos, é melhor que morra de uma vez e pare de ocupar espaço. Sem remorsos, não tome isso como um desapego irracional pela condição humana. É por isso que quando eu parar de funcionar completamente, peço que não hesitem em me jogar numa vala qualquer, sem muitas cerimônias. E aproveitem o feriado de finados com alguma coisa menos trivial.

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Universidade Monstro http://4verbos.com.br/universidade-monstro/ http://4verbos.com.br/universidade-monstro/#comments Wed, 10 Jul 2013 15:12:23 +0000 Leandro Magalhães http://4verbos.com.br/?p=1469

Mike chegando na Universidade

Já disse outras vezes aqui que não sou um especialista nessa arte, gosto de filmes e só. Mas como o blog também é meu tenho a liberdade de falar qualquer besteira por aqui. Poréeem… nesse caso tenho alguma propriedade para dizer algo. Monstros S.A é, sem sombra de dúvidas, o filme que mais assisti na vida. Primeiro porque sempre gostei muito dessa animação, segundo porque até outro dia era o único DVD que tinha em casa e minha filha não parava de assistir. Resumindo, já vi muitas vezes.

Por isso, quando fiquei sabendo do lançamento de Universidade Monstro fiquei muito feliz. “Que legal! Vou poder ver Mike Azauski e James P. Sullivan aprontando em altas aventuras com uma turminha que é do barulho”, pensei com voz de locutor que anuncia os filmes da sessão da tarde. Conclusão, lá estava eu duas vezes na mesma semana assistindo Universidade Monstro. Usei a velha desculpa de levar um sobrinho ao cinema para justificar minha louca vontade em assistir a um filme cujo público são crianças de 10 anos.

Antes de falar do segundo filme da série vamos relembrar os atributos do primeiro. Monstros S.A é impecável. Na minha opinião é o melhor roteiro já produzido na era Pixar e Dream Works. Muitos discordam colocando Toy Story no topo da lista. Sem dúvida, trata-se de grandes roteiros, especialmente o 1º e o 3º. Mas a “ideia criativa” do filme da Boo é mais original, criativa e surpreendente. E é aí que Universidade Monstro já começa perdendo no conceito. O segundo filme da série é recheado de clichês “roteirísticos”. Até cena do ônibus freando no último momento quando o personagem entra e se declara na frente de todos tem no filme. Apesar do filme ser previsível o final é de certa forma surpreendente. Não que eu tenha gostado do final, mas pelo menos não foi óbvio.

O que mais gostei de Universidade Monstro foram as pitadas de elementos que remetiam ao primeiro filme. A animação está recheada delas. Muitas sei que ninguém vai se lembrar. Acho que é aí que está graça. Só viciados como eu pegarão algumas sacadas. Uma das melhores é a do “Abominável Homem das Neves” já no final do filme.

Mike faz muito bem esse papel no primeiro filme. Assim como o Burrico fez em Shrek, o Sid (o bicho preguiça) em A Era do Gelo e a Dory em Procurando Nemo. Universidade Monstro não criou nenhum personagem querido.

Uma curiosidade foi a mudança do personagem principal. Em Monstros S.A,  Sully é o cara do filme. Já em Universidade Monstro a história é toda construída em cima da vida de Mike Azauski. O grande problema dessa mudança é que o filme ficou sem um bom personagem coadjuvante. Sully não é engraçado, não existe a Boo e os novos personagens não são surpreendentes. Mike faz muito bem esse papel no primeiro filme. Assim como o Burrico fez em Shrek, o Sid (o bicho preguiça) em A Era do Gelo e a Dory em Procurando Nemo. Universidade Monstro não criou nenhum personagem querido.

Não é um filme ruim. O problema é que o primeiro é muuuuito melhor. Minha recomendação final: assista Meu Malvado Favorito 2 no cinema e espere o DVD de Universidade Monstro.

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